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Imagina você chegar na escola onde seu filho ou filha estuda e encontrar banheiros sem assento, sem descarga e sem papel higiênico.

Uma criança que para fazer xixi tem que fazer contorcionismo para não encostar o bumbum direto no vaso sanitário.

Imagina no calor de 35 graus dentro da geladeira, que foi o que registramos em Santa Catarina na semana de retorno às aulas, ver crianças do ensino fundamental trancadas em salas de aula sem ar condicionado e sem cortinas. Estudantes gratinando na sala de aula.

É o que acontece no Instituto Estadual de Educação, maior escola pública da América Latina. São mais de cinco mil alunos na unidade centenária, localizada no centro de Florianópolis.

Como outros pais, fiquei assustado em ver a situação de banheiros e de salas. Muitos dos locais estavam limpos adequadamente é verdade, mas verifiquei algumas questões de manutenção simples de resolver. As crianças ficam dois meses sem aulas e poderia ser feito reparo aqui e ali para receber bem os estudantes neste início de ano letivo. Com condições mais adequadas.

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Você ficaria tranquilo de saber que sua filha de sete, oito anos, tem que sentar aqui para xixi? E limpar onde? No uniforme?

Eu questionei a Secretaria de Estado da Educação, que ressaltou que está tomando todos os “encaminhamentos necessários para melhorias no Instituto Estadual de Educação e que eles serão realizados o mais breve possível. Em relação aos banheiros, informa que os papéis higiênicos são reabastecidos constantemente conforme a necessidade”.

Realmente em alguns pontos havia um outro papel. Mas nada para as mãos. Nada em lugar algum.

A SED também publicou um material interessante, relevando que 700 escolas da rede estadual “apresentam uma rede elétrica deficitária, o que significa que apenas 17% das unidades estão com infraestrutura elétrica adequada”.

Ou seja, equipamentos como ar condicionado, computadores, notebooks e lousas digitais não conseguem ser instalados porque a rede não suporta. “Nos deparamos com o almoxarifado com uma quantidade imensa de materiais. Infelizmente, constatamos que não podemos instalá-los, pois as escolas não possuem tomadas adequadas e nem outras questões elétricas para instalação. Por isso, temos dificuldade de encaminhar para as escolas”, afirmou o secretário de Educação, Aristides Cimadon.

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Essa foto é da própria SED. Está tudo parado e não pode ser instalado em escolas.

Equipamentos não podem ser instalados por falta de estrutura

Os equipamentos eletrônicos que estão no almoxarifado da SED para distribuição às escolas, ultrapassam o valor de R$49 milhões. Ao todo, são mais de 3,7 mil lousas digitais, que necessitam de uma contratação específica para serem instaladas; cerca de 4 mil mini computadores de uso exclusivo das escolas e mais de 4,5 mil notebooks, que serão distribuídos aos professores efetivos e também para uso exclusivo em todo espaço escolar.

Tudo isso. R$ 49 milhões dentro de um almoxarifado. Sem poder ser utilizado. Investimento feito para ficar apodrecendo em galpões.

Para o Estado a prioridade é iniciar a recuperação da rede elétrica nas escolas para receber equipamentos tecnológicos. O mesmo material distribuído pela SED informa que para a recuperação e reforma das escolas, existem projetos de adequação estrutural e de acessibilidade. “Há processos licitatórios em andamento e contratos em execução para sanar questões estruturais mais urgentes nas unidades escolares. Há também uma licitação em andamento, dividida em duas etapas, para contratação de projetos e execução das redes elétricas”, informa a nota.

Tomara que dê certo, torço muito para que situação avance e a SED consiga finalizar esses projetos para instalar os equipamentos. Será maravilhoso. A pergunta é se essas obras vão ocorrer em meio às aulas ou nas férias. Se for assim, é mais um bom tempo sem melhorias.

Eu só acho, mas aí é como cidadão, que alguns reparos e manutenções baratas poderiam ser realizados nas férias. Coisa pequena, que um “Tião faz tudo” resolve simplesmente. Assentos no banheiros, papel para secar as mãos, cuidados com as portas, resolver o mofo e a infiltração, uma pintura numa parede. Em 20 dias os ambientes estariam bem mais adequados para os alunos e os profissionais de Educação, que passam horas a fio neste ambiente.

Colocar um trinco no banheiro ou comprar assentos sanitários era o básico de atenção e cuidado com os nossos pequenos estudantes. E não precisa ser um assento caro, a partir de 15 reais já é possível encontrar como esse e esse outro. Não coloquei o link da Havan porque está mais caro e não dá para comprar assento para privada das escolas, de quem quer demitir os professores.

Um trinco para porta então, custa R$ 4,90 na internet. Numa busca rápida encontrei esse na Amazon com entrega Prime, em dois dias. É suficiente.

Uma tinta em grande e corrimão. Em paredes descascadas.

Trocar uma porta ou outra de banheiros na área de ensino fundamental.

Ter onde secar a mão e a “perereca” para não ter que fazê-lo na saia do uniforme, como ouvi esses dias.

Arrumar a descarga para que as crianças se sintam a vontade para pelo menos fazer xixi. Ficar quatro horas segurando, para uma menina, é meio caminhando andado para uma cistite.

Esse é o básico para quem se importa com pessoas e Educação. Um cartão de visitas para a comunidade escolar. Uma mensagem clara de “seja bem vindo” nas nossas públicas. Coisas pequenas e básicas tem grande significado.

Infelizmente, não foi isso que eu e muitos pais observamos. Percebemos que faltaram coisas importantes para os servidores e estudantes do IEE neste início de ano letivo.

Faltou cuidado, carinho e atenção.

Faltou um “eu me importo com você”.

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