Agora é a vez da Barra da Lagoa e do Campeche.

Mais drama. Ondas tomaram restaurantes e casas à beira-mar.

No Campeche, um impressionante muro de areia com quatro metros de altura se formou.

Casas igualmente ameaçadas. Casas com construções contestadas na Justiça e por muitos moradores justamente por estarem sobre dunas.

Culpa do mar? Do aquecimento global? Da Defesa Civil?

Óbvio que não…

 

Foguetórios a parte, a previsão de uma nova e intensa ressaca nos próximos dias coloca todo mundo em alerta.

Entrevistei uma família de pescadores na Barra.  Viviane Laura Corrêa, com apenas 28 anos, se mostrou uma das pessoas mais sábias que entrevistei neste episódio todo da ressaca. Contou que o avô vendeu o terreno da frente de sua casa e garantiu a construção de moradia para todos os filhos no fundo. “Ele sempre disse que o olho do homem iria destruir nossa ilha”, afirmou. “Aqui em Floripa pode tudo. Mexem na praia para montar restaurante e até alargam avenida Beira-mar para que os ricos possam correr. Nunca vi ninguém da prefeitura aqui a não ser em inauguração”.

Saí da Barra da Lagoa com essas palavras ecoando na minha cabeça. É a pura verdade. Construções sobre dunas, legalizações vias cartórios duvidosos, empreendimentos em prol da “geração de empregos” e outras balelas. Nada disso cabe mais por aqui.

Aterros, ajeitos, resorts e estaleiros. Nadica. Cabe cuidar do que temos antes que não tenhamos mais nada.

O prefeito Dário Berger tem uma chance de ouro para fazer história, mesmo com as indecências de shows e outras coisitas más. Pode fazer um plano diretor decente, acertar a questão da devastação e trabalhar pelo desenvolvimento sustentável da ilha… Resta saber se irá fazê-lo.

Mas para isso é preciso ouvir técnicos e não falsos pescadores interessados em foguetes e projeção política, como tenho percebido na praia da Armação. Ou em construtoras-financiadoras de campanhas interessadas em sabemos bem o quê…

Não gostaria de ver esse cenário nos próximos anos em Floripa.  A atual prefeitura não tem culpa de tudo. O risco é ser mais uma entre tantas outras que se passaram a omitir. Está aí o desafio.

O “ecochato” nunca esteve tão certo. Mas garanto que nenhum deles está feliz em ver o que vem acontecendo.

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