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Esse ataque cruel e covarde à creche de Blumenau me fez lembrar meus primeiros anos de jornalismo, lá no fim da década de 90, quando atuava no Jornal da Mantiqueira.

Uma menina com seus 15 anos pulou do último andar de um prédio bem no centro da cidade. Foi uma comoção geral. Ela era atendente de uma padaria, tinha brigado com o namorado e se jogou para a morte bem em frente ao local de trabalho.

Foi um horror.

O diretor do jornal decidiu não dar uma linha sobre o assunto mas, como a morte ocorreu bem no centro de Poços de Caldas, todo mundo ficou sabendo.

Naquela época éramos os únicos da cidade com uma câmera digital e por isso fazíamos fotos para a perícia. O assunto não apareceu no jornal e, nos dias seguintes, vários conhecidos apareceram na sede do Mantiqueira e, conversa lá conversa cá, pediam para ver as fotos da “menina suicida”. Apareciam pessoas que eu não conversava desde a época do Colegial.

Lembrei isso pois com essa atrocidade de Blumenau (na semana passada foi em São Paulo), me pego pensando em qual o papel da mídia nesses casos.

Impossível não noticiar tamanha crueldade. Mas como fica o sensacionalismo? Como fica o papel de nós, jornalistas? Damos nomes aos autores desses crimes?

Deve se esmiuçar a vida deles como muito se faz, consequentemente transformando – acredite – em “heróis” para muitos grupos do submundo da internet? Isso não encorajaria outros covardes Brasil afora?

Não consigo pensar muito nisso agora.

O fato é que isso vai tomar todas as manchetes nos próximos dias. Aí minha pergunta é: devemos noticiar até quando? Qual o nosso limite?

O que devemos fazer?

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