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(publicado em 18 de maio de 2017)

Lembrei que há exatos três anos me tornei pai em tempo integral. Como o tempo passa rápido. Em um dia, estava com medo de dar banho sozinho na Luísa pela primeira vez depois que a mãe voltou ao trabalho. No outro, estamos passeando na rua e conversando sobre Lady Bug, ballet, rainhas e princesas.

De repente, se passaram três anos. Tanto tempo. Tão rápido. E o que mudou na minha vida? 

Tudo.

Aprendi tanta coisa nesse tempo. Aprendi que não podemos controlar tudo. Aprendi como é importante ter uma roupa reserva na mochila. Que o tempo está a nosso favor se soubermos aproveitá-lo bem.

Que meia hora de conversa com uma criança podem te valer o dia – tem muita sabedoria ali.

Aprendi que a febre piora ao anoitecer.

Que uma dor em seu filho é mil vezes maior em você. 

Poderia enumerar trocentas coisas que aprendi nestes três anos e que não canso de repetir. Foram anos intensos. Muita coisa mudou, não só em relação à minha vida pessoal, mas também em relação à minha profissão. Tomei rumos surpreendentes, errei ali, acertei aqui e vou caminhando, construindo, reconstruindo e –  por que não? –  redescobrindo.

Tem muitas coisas nesses anos que passaram que não voltam mais. O tempo é cruel com quem não sabe aproveitá-lo. Precisei aprender isso na marra.

Ri muito nestes três anos. Fiquei alegre. Fiquei triste. Chorei demais também. 

Rolei pelo chão, fiz caretas, gritei, dei gargalhadas, assisti desenhos, me escondi, brinquei de restaurante, creche, feira e de posto de gasolina. 

Passeei na rua, olhei as borboletas, conversei e dei nome a todos os cães e pássaros do bairro. 

Desenhei. Colori. 

Fiz bichinhos de cartolina. 

Colhi acerolas, amoras e pitangas. 

Trabalhei. Fiz comida. 

Acertei. Errei. 

Sei fazer rabo de cavalo e trança.

Mas ainda não aprendi a pintar a unha com esmalte.

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