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Gilberto Gil, meu caro….

Escapassi” de uma grande furada. Pode ficar alegre e aliviado. A Câmara de Vereadores de Florianópolis rejeitou esta semana o título de cidadão honorário de Florianópolis à sua pessoa. Foi a segunda vez que os exigentes edis da riquíssima e pujante capital de Santa Catarina lhe negam essa “honraria”.

Sabes do que se livrou, mô quiridu?

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Na mesma sessão que negaram o grandioso diploma, aprovaram o título de Cidadão Honorário para Jair Messias Bolsonaro, aquele que tá morando há algum tempo em Orlando e pouco visitou a capital catarinenses enquanto era presidente da República. O projeto N.º 02470/2022 foi aprovado só com dois votos contrários, o dos vereadores Ednon da Rosa e João Luiz. De resto, algumas ausências, e 17 (!!!) votos favoráveis.

A justificativa do projeto, apresentada pelo vereador Maykon Costa, chega a ser um primor. Ele cita que em sua carreira, Jair Bolsonaro “defendeu a redução da maioridade penal, o direito à legítima defesa e a posse de arma de fogo para cidadãos sem antecedentes criminais e é o idealizador de uma proposta para tornar obrigatório o voto impresso no Brasil, medida que ele acredita que contribuirá para a realização de eleições mais confiáveis e passíveis de auditagem. Além disso, destacou-se na defesa dos valores cristãos e da família”,

Não fui em quem escreveu isso aí não, Gilberto Gil. Está no projeto. O vereador ainda cita como justificativa para a concessão do título de cidadão honorário, a “enorme Motociata em Florianópolis”, realizada em 2021.

No dia seguinte, já encaminhado outro título de cidadão, desta vez para Luciano Hang. Também de autoria do vereador Costa, projeto número 02505/2023, sob o irretocável argumento de que o empresário mantém um discurso com “tópicos como liberalismo, meritocracia, desburocratização, redução da carga tributária, privatização de estatais, Estado Mínimo e reformas como a da Previdência, com a “extinção de privilégios” (sic).

Continuando meu pensando, meu caro ex ministro Gilberto Gil…

Tu vai se apresentar no aniversário de 350 anos de Florianópolis. Já passou por poucas e boas aqui e necessitava de uma “reparação histórica”. Acha que por isso merecia um título de cidadão desta maravilhosa cidade?

Não fizesse nenhuma motociata pelas garbosas ruas do centro com bucicas latindo e correndo atrás dos exuberantes veículos e bandeiras da nossa pátria tremulando ao redor. Não construísse nenhuma estátua baita daquela mulher carregando uma tocha suntuosa na entrada da cidade. Não fala de arminha, não fala de reduzir imposto.

Fala de cultura, canta e dança aos 80 anos de idade.

Aí quer ganhar um título por isso, feio?

Se serve de consolo, o senhor já tem outras coisas para se contentar, como ser considerado o Artista da Paz pela UNESCO em 1999, Embaixador da FAO (que significa Food and Agriculture Organization of the United Nations), além de condecorações e prêmios diversos, como Légion d’ Honneur da França, Sweden’s Polar Music Prize, não tem?

Outro dia dia desses recebeu a nomeação de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Berklee e de imortal pela Academia Brasileira de Letras (ABL) para ocupar a cadeira de número 20.

Já ganhou o Grammy duas vezes, o Grammy Latino outras tantas que até pediu música no Fantástico. Já ganhou a comenda da Ordem de Rio Branco.

Não deve ter nem espaço na parede de casa “pendurar” esse diploma da bela Florianópolis, não tem?

Então ixtepô, comemora por ter se livrado dessa vergonheira. Alívio dos baita.

Em tempo: foram seis nobres parlamentares que votaram contra a proposta dos vereadores Afrânio Boppré e Carla Ayres. Até que eles tentaram. A lista da votação está aqui.


Só não entendo as duas abstenções, das vereadoras Manoela Vieira da Silva (NOVO) e Priscila Fernandes (PODEMOS). Parlamentar é pago para votar, decidir e opinar. Mais vergonhoso do que negar a “honraria” é ficar em cima do muro.

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Neutro é detergente. Não posição em plenário.

Mas relaxa jogador, assim como o entrevistei e participei de um show no Clube Doze há mais de década, essa semana, no dia da apresentação estarei ali na plateia gritando “Andar com Fé eu vou” e esperando ansiosamente pelo trecho que alegrou minha infância: ”No país da fantasia, num estado de euforia, Cidade Polichinelo, Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Aquele Abraço.

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