Queira Deus que eu não esteja enganado… Queria Ele que eu queime a minha língua e que tudo ocorra às mil e uma maravilhas.

Mas sou obrigado a confessar que algo me assusta nesta história do show do Ben Harper.

Não sou contra o show, adoro as músicas dele… Mas tem muita coisa nebulosa aí.

Primeiro: o local do evento.

Depois: as várias indecisões sobre o show:

1. Era de graça, depois virou dois quilos de alimentos;

2. Seriam 20 mil pessoas, depois viraram 10 mil e por fim 8 mil;

3. Os ingressos seriam trocados mediante o preenchimento de um formulário no site. Depois disso, a pessoa imprimiria o cupom e trocaria pelo tão sonhado bilhete. Agora os interessados tem que mandar um réles e vagabundo email e torcer que para que sejam um dos 4 mil primeiros a fazê-lo.

4. Tem licença, não tem licença?

5. Quem não conseguisse ingresso iria acompanhar o evento em telões na praia. Não. Não existem mais telões.

São inúmeras e inúmeras questões que me deixam com um pulgueiro atrás da orelha. Lógico, estarei ali, torcendo para que nada de muito ruim aconteça. E trabalhando obviamente, Que todos tenham seus ingressos e que tudo ocorra na maior paz, com músicas da melhor qualidade.

Ninguém é contra belos eventos na cidade. Mas só quem vive a realidade do Campeche sabe da completa falta de infra-estrutura do local para sediar um mega evento desse.

E a preocupação não é coisa dos “haoles”, como uns babacas  fazem questão de alardear inclusive na imprensa, transformando o debate de uma coisa séria sobre o futuro – e o presente – de Florianópolis em uma ridícula e ultrapassada demonstração de xenofobia.  Isso é de uma cretinice sem tamanho, sejam os autores desses comentários os “locais”, haoles ou seja lá o que for.

Só para provar o que digo segue um relato do Athaíde Silva. Morador do Campeche, nativo, surfista das antigas e coordenador do protesto contra o show do Ben Harper. Ele esteve na Câmara Municipal na noite desta segunda-feira, dia 1º de fevereiro, para pedir uma “moratória” nas construções do bairro até que o tal plano diretor deixe de ser uma história da carochinha argentina para virar realidade.

Acho que o show do Ben Harper deve ocorrer sim, por tudo o que já foi feito e promovido. Milhares de pessoas votaram e estão interessadas.

Mas podemos daí, tirar proveito para discutir sobre quais os locais adequados e os rumos de Floripa.

Atendendo ao pedido de um jornalista local, ponho na tela a declaração do Athaide. Acho que não precisa mostrar a identidade dele né, “rapeize”? Trata-se de um nativo puro sangue

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  1. Ói, vou te dizer, colega: sou FÃ absoluta do Ben Harper, tenho todos os álbuns dele, mas preferiria mil vezes pagar 200 reais para assisti-lo num lugar fechado – que fosse o parque Planeta, a Pachá, algum estádio ou até mesmo o meu vizinho aqui, o Sapiens, que, tenho que admitir, segurou bem a onda dos dois dias de Planeta Atlântida sem incomodar a vizinhança grande coisa. Paguei para vê-lo em 2007 e o faria de novo muito feliz. Mas de graça, beira de praia, sul da ilha? No, thanks. Me solidarizo com a comunidade do Campeche no protesto e, como você, espero do fundo do coração morder a língua. Abraço

  2. Concordo; e é nessas horas que serve a História. Há 30 anos atrás os moradores de um local chamado Canto do Lamim, protestavam e defendiam seu local, ninguém escutou e deu no que deu.

  3. Acho que temos uma boa notícia! Até as 18h teremos a certeza absoluta. Mas o Ministério Público Federal quer impedir o show e mandou suspender todas as licenças (fajutas, na gambiarra e na propina, digamos de passagem) que já foram dadas. Ajudem-nos a rezar. Falo em nome da comunidade do Campeche.

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